24.8.16

Pasado Claro de Octávio Paz

(...)
Días

como una frente libre, un libro abierto.

No me multiplicaron los espejos

codiciosos que vuelven

cosas los hombres, número las cosas:

ni mando ni ganancia. La santidad tampoco:

el cielo para mí pronto fue un cielo

deshabitado, una hermosura hueca

y adorable. Presencia suficiente,

cambiante: el tiempo y sus epifanías.

No me habló dios entre las nubes:

entre las hojas de la higuera

me habló el cuerpo, los cuerpos de mi cuerpo.

Encarnaciones instantáneas:

tarde lavada por la lluvia,

luz recién salida del agua,

el vaho femenino de las plantas

piel a mi piel pegada: ¡súcubo!

-como si al fin el tiempo coincidiese

consigo mismo y yo con él,

como si el tiempo y sus dos tiempos

fuesen un solo tiempo

que ya no fuese tiempo, un tiempo

donde siempre es ahora y a todas horas siempre,

como si yo y mi doble fuesen uno

y yo no fuese ya.

(...)

19.8.15

Forte

Dar espaço 
dizer à vontade
aceitar
partir
voltar para afirmar-se,
avançar!







30.3.15

A fazer // to be done

Um dia no mercado vi esta cena, como não fotografei, desenhei-a.


Berlim 2015

25.10.14

Espírito crédulo // Esprit crédule

 Ne plus savoir où commence l'un et finit l'autre.
Já não saber onde começa um e acaba o outro.

Istres, juin 2014

4.7.14

7 anos e um quarto branco

 Ao João: corpo inalterável do nosso Amor





*****************
Para os que aqui estão
visíveis ou não

não há um só dia em que não diga o teu nome ou te cite ou te convide a veres
as conquistas, os encantos e as maravilhas do que se passa aqui atrás de ti.

Visitas-nos, não só a mim mas a todos os corpos do nosso amor comum, periodicamente
e vemos-te mais novo, habitar aquele corpo do princípio
apareces mais definido, nesses dias, como um eco que languidamente se desvanece até à calma.
Então fala-se e discute-se mais sobre ti, baixinho ou ao telefone para evitar acordar-te, tu que não gostas que te perturbem a sesta (declarada a meio da tarde porque ao deitares-te pões a almofada sobre os olhos).

sempre o dissemos, desde o início destes 7 anos que nos fizeste melhores e mais atentos.
Mais solitários também, mais sensíveis, mais livres
No entanto, e por isso peço que se digam estas palavras hoje,  domesticamos de melhor maneira a dor de sabermos que não chegarás a casa àquela hora para o jantar.
Ou de que no dia dos aniversários não poderás escalar as cadeiras e cantar connosco também eufórico. 

Temos um paraíso
Temos uma corte fiel de fauna e flora que exige estima e dá sentido
Temos tempo e sede de tempo
Temo-nos a nós todos reunidos em uníssono, contigo João.